Ponte de Guaratuba é liberada em definitivo ao tráfego e encerra mais de 60 anos de travessia por ferry boat

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Nova ligação entre Guaratuba e Matinhos foi aberta definitivamente neste domingo (3), após a Maratona Internacional do Paraná; estrutura tem 1,24 km de extensão e não terá cobrança de pedágio.


Fotos: Felipe Henschel/AEN e SECOM

A Ponte da Vitória, entre Guaratuba e Matinhos foi liberada definitivamente para o tráfego de veículos neste domingo (3), às 10h, consolidando uma nova fase na mobilidade do Litoral do Paraná. A estrutura passa a ligar os dois municípios por via terrestre, substituindo a tradicional travessia por ferry boat, utilizada há mais de seis décadas na Baía de Guaratuba.

A abertura total ocorreu após a passagem dos últimos atletas da Maratona Internacional do Paraná, que teve provas de 10 e 42 quilômetros e marcou o primeiro grande evento esportivo realizado sobre a nova ponte. Durante o sábado (2), a estrutura já havia recebido um primeiro comboio de veículos em uma operação controlada, antes da interrupção temporária para a continuidade da programação esportiva.

Com mais de 1,2 quilômetro de extensão, a ponte recebeu investimento de R$ 400 milhões do Governo do Estado. A nova estrutura elimina a necessidade da travessia por embarcações entre as duas margens da baía, reduzindo o tempo de deslocamento entre Guaratuba e Matinhos para cerca de dois minutos.

Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, o trânsito está liberado nos dois sentidos, mas os motoristas devem respeitar os limites de velocidade e as restrições definidas para a estrutura. A circulação é permitida para veículos de até 26 toneladas e caminhões de até quatro eixos. O fluxo será acompanhado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) e pelo Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual.


Desde a fase de planejamento, o Governo do Paraná definiu que a Ponte de Guaratuba não terá cobrança de pedágio. Também foi estabelecida a proibição do tráfego de veículos pesados, medida adotada para preservar a durabilidade da obra e garantir maior fluidez no deslocamento entre os municípios.

A liberação da ponte também representa o fim da operação regular do ferry boat, serviço iniciado na década de 1960. Antes da implantação das balsas, o acesso a Guaratuba era considerado precário, com deslocamentos por Santa Catarina ou travessias feitas por pequenas embarcações voltadas principalmente a pedestres.

O primeiro ferry boat da Baía de Guaratuba foi criado em 1960, durante o governo de Moisés Lupion. A embarcação era de madeira, tinha 27 metros de comprimento por 10 metros de largura, dois motores GM de 130 cavalos e capacidade para transportar 12 veículos e cerca de 100 pessoas. Ao longo das décadas, o serviço passou por modernizações, ampliação da frota e melhorias nos atracadouros.

Com o encerramento da travessia, as áreas usadas para atracagem serão fechadas para a finalização da obra. O contrato de concessão do DER/PR com a empresa responsável pelo ferry boat ainda permanece válido por 90 dias, conforme informou o Governo do Estado.


O espaço que antes era utilizado pelo ferry boat deverá ganhar uma nova finalidade. O Governo do Paraná planeja a implantação do Complexo Náutico de Guaratuba, projeto previsto para começar em 2027 por meio de concessão à iniciativa privada. A proposta prevê cerca de 12 mil metros quadrados de área construída em um terreno superior a 30 mil metros quadrados.

A marina será a principal estrutura do futuro empreendimento, com previsão de 303 vagas molhadas para embarcações atracadas na baía e 400 vagas secas. O projeto também inclui estacionamento, áreas de convivência, lazer, serviços, restaurantes, lojas e espaços para eventos. O investimento estimado é de aproximadamente R$ 100 milhões, com contrato de concessão previsto para 30 anos.

Com a abertura da Ponte da Vitória, o Estado encerra um modelo histórico de travessia e inaugura uma nova rota de integração no Litoral. A expectativa é de que a estrutura melhore a mobilidade, reduza filas em períodos de grande movimento e impulsione o turismo e a economia regional.

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